25 de fev de 2011

Palavras, apenas

As palavras irrompem como a fome, intransigentes, urgentes
Violam a harmonia das estranhas, compõem novo caos de melodias, vozes
Não cessam enquanto não saciam, persistem, consomem as reservas, as forças,
Chegam à carne, adoecem os músculos, enrijecem, silenciam

As palavras queimam como o frio, gangrenam as vísceras, os reflexos, as lembranças
Insurgem tempestuosas, exigentes, arrogantes, incondicionais
Ameaçam soprar certezas, devaneiam, enlouquecem

As palavras impõem-se, sem educação, cuidado, zelo, respeito
Sem permissão escalam os braços, as cordas, se gritam mudas, insistentes, pertinentes
Ausentam-se presentes, fixas, olhadas, molhadas, faladas, comidas

As palavras afirmam-se, impetuosas, charmosas, formosas, insinuantes
Seqüestram o fôlego, o cheiro, o gosto, o aconchego
Seqüestram a alma, o delírio, o suor, a razão
As palavras são como a paixão

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