25 de dez. de 2009

Quando os olhos dizem o que o jeito não traduz

Eu tinha um professor que cotumava sorrir com os olhos
Eu gosto dessa expressão, sorrir com os olhos
É bastante expressiva
Eles são...
Alguém já disse que são o espelho da alma
Eu acho que desta, são a nudez. O nosso forte, fraco.
Frágil fortaleza.

"Um homem precisa viajar"
Estava escrito num livro do Amir Klink.
No meu caminho de olhos estive em alguns que acariciam, muitos que silenciam, outros muitos que amam.
Me sinto bem com aqueles que  brilham.
O olhar tem muito mais de vida que de cultura.
Tem mais de gente.
Tem mais da gente.
Engana muito pouco, na contrapartida do jeito.

O taxista assaltante do Rio não me deixou ver seus olhos
E existia um aroma doce de ternura nos olhares que encontrei no caminho do meu dia. 
25 ciclos, 21 dias, 20 kilômetros a versar com o horizonte dos meus pés.
Uma alegria doce a compartilhar, em bonecos de gelo e aconchego de fósforos de aniversário.
Olhares especiais que encontramos pelo caminho.

A montanha também me olhou, olhou por mim e me abrigou a menos dez.
Dez segundos de alívio ao tanger o infinito da torre onde meus olhos riem,
e me transportam a 7 mil kilômetros mais perto de casa
Eu digo pro Amir que uma mulher também precisa viajar
Tanto quanto precisa estar em casa.

A Estrela aos meus pés

16 de dez. de 2009

I've got a feeling

...that tonight it's gonna be a good night, disseram os auto-falantes do mini-bus.
Fiquei pensando sobre a frase, visto que ainda eram 10 da manhã.
Me lembrei das outras três canções que soam incessantes na noite do Algarve.
Mas logo me esqueci, ao ouvir o Rap brasileiro que ecoava, às alturas, no celular do moço ao meu lado.
Ops, moço não, raparigo. Por aqui, o moço é pejorativo.

O auge do "good night" é sempre com a canção que diz "I don't know why".
A histeria coletiva de Sagres e Super Bock se instala na pista.
E eu, no mini-bus, pensando que vivo tendo esse sentimento, de não saber o porquê.
Não sei porque o brasileiro motorista me deixou um café pago em seu quiosque na praia de Portimão.
Mas acho que sei o motivo da minha supresa, nessas terras frias portuguesas.
Não sei porque o rapaz de touca preta fez questão de me mostrar como os homens podem ser monstros, quando se tratam com mulheres.
Mas sei porque o motorista me fez lembrar como eles podem ser doces, mesmo com café amargo.
Não sei porque as adolescentes e sua irmã gritante me seguiram quando mudei de vagão, pra tentar me livrar dos berros.
Mas sei porque encontrei, no outro vagão, uma mãe e seus dois bebês chorões.

Por ti mãe e por ti pai, tento me manter um pouco mais amena e mais quente, nesse inverno de ano inteiro.

Me ocorreu que as noites possam ser muito semelhantes, só com o aditivo do fuso-horário.
Tribos da aldeia global, como já dizia um querido amigo.
Ele disse, e muitos já tinham dito, assim como outros tantos, como eu, dirão depois.
Tribos que ciclam e reciclam, inclusive pensamentos.
Idéias e ideais, afastados apenas por uma leve inversão de vogais.
E eu não sei se tenho um ou outro, ambos ou nenhum, nesse mundo de valores invertidos que eu vejo, ou pinto.

Ganhei uma caneta de pintar tecidos, mas ainda não usei.
Tô por enquanto pintando o meu campo de ideais.
E tenho muita sorte de sempre encontrar, pelo meu caminho, alguns anjos que me ajudam a pintar meu campo de sonhos.
Hoje eu ganhei muito mais que um embrulho de natal.
Agradeço.