14 de jul de 2010

esta[ciona]dos todos

Os meses são doze e os dias, 365
Fiquei a pensar se não poderiam ser 400, pra arredondar
No retângulo do meu quarto percebi que não, pois a conta tem algo de esferas
Círculos que ficam girando dentro de um grande espiral
Perguntei-me se não poderiam ser de uma outra forma qualquer...

Esse movimento suave, meio repetitivo, me fez voltar aos doze
Doze, que invertidos são vinte e um e que, no dezembro passado, trouxeram os vinte e cinco
Dezembro é um mês que me lembra o sol, mesmo que os vinte e cinco passados tenham se passado na neve, a menos 15
Acho que a lembrança vem dos meus tempos de menina, dos meus doze anos

Todo mês tem um quê de lembrança
Uma memória coletiva que constrói estações e a ela atribui dados
Num lance qualquer, os dados as vezes se dão por algarismos, que constroem dozes, vinte e uns e vinte e cincos
Constroem um ano inteiro

Minha lembrança coletiva de Julho sempre foram duas, o sete e a praia
Mesmo com a chuva e o frio, era o único set no qual o cinza combinava mais com o mar do que o azul ou o verde
Isso dava até um filme...

Mas eu sempre gostei mesmo foi de Maio
É um nome bonito, curtinho, e tem cheiro doce, de flor
E falando em flor, eu também gosto muito de Outubro
Do céu, das cores e do aroma também
Uma amiga se perguntava sobre a função da cor dos  frutos
Eu nunca tinha pensado que deveria haver alguma, só tinha até então achado bonito
Então pensei que, se esferas fossem espirais, os 365 poderiam ser 400 e os frutos poderiam ser coloridos por terem querido roubar, das cores, a doçura
Mas como esferas ainda são esferas, dados se traduzem em números e a natureza (nos) se traduz em dados,
um lance certeiro diz que os frutos são estratégicos em sua cor, ou  é ela o próprio resultado das estragégias de outrem
Assim como são os anos em seus dias e meses, a lua em suas fases,
e como são as memórias,
estacionais

Um comentário:

betucury disse...

Vai ser bonita assim, na esfera espiralizada da memória dada. Um dos dados é o não estacionar em estações pragmáticas o rolar das ações doces da natureza. Eu gosto da verdade e das lindezas todas, que existem em cada parágrafo escrito pela bela estrela